As maravilhas da Maternidade

Querido diário,

Comecei a ver uma nova série, "Jane, the virgin" em que, resumidamente, uma mulher que é virgem, devido a um erro de uma médica, é inseminada artificialmente acabando por ficar grávida. Uma virgem grávida, portanto. É uma série muito gira, por acaso, porque apesar de ser este o início da história (sim, acontece isto tudo logo no primeiro episódio) a série gira em torno dos dramas de família, mas também tem crimes, loucuras, comédia, romance, mistério e vai sendo narrada em estilo de telenovela (não estou a gozar, tem mesmo um narrador).

E porquê que estou a falar desta série? Porque no episódio que vi hoje, a protagonista está a passar por uma fase em que está carregada de dúvidas, se vai ser uma boa mãe, se vai saber cuidar de um bebé, de uma criança, de um adolescente, está a descobrir um mundo sobre o qual nao sabe absolutamente nada e está em contra relógio pois o bebé está quase a nascer e ela não se sente preparada. Acho que a maioria das mães passaram por essa fase e dei por mim a pensar quando descobri que estava grávida pela primeira vez..
A verdade é que na minha primeira gravidez, não me senti nada "despreparada" para ser mãe, sempre lidei com crianças toda a vida e até dei aulas de psicomotricidade a crianças, desde recém nascidos até aos 6 anos, não tive grandes dúvidas e as poucas que tive exclareci na preparação para o parto ou com outras mães. Não tive grandes medos ou ansiedades. Sentia me pronta! Para tudo, para enfrentar o que aí vinha!
Mas... depois o meu filho nasceu! E afinal, ter um bebé não era, não é, nada fácil. Foi uma gravidez santa, mas foi um parto horrivel e o meu bebé não era um bebé fácil de lidar.

E foi depois de ser mãe que surgiram todas as inseguranças, todos os medos e as ansiedades. O sentimento constante que estava a falhar como mãe. Que estava a falhar com o meu filho. O cansaço extremo de quem dormia, no total, 2/3 horas por dia também nao ajudava em nada. Foram uns meses terríveis. Amava o meu bebé mais do que tudo na minha vida, mas era tão difícil ser mãe dele. E dei por mim a desejar voltar atrás no tempo, preparar-me melhor sabendo o que sei hoje, para não desesperar quando ele ficava horas seguidas a chorar com cólicas, porque já sabia o que fazer antecipadamente. Para não me ir abaixo, nem sequer dar importância aos milhões de comentários de familiares, amigos, conhecidos e até de estranhos que passam na rua e lhes apetece dar a sua opinião.

- o bebé chora porque tem frio.
-o bebé chora porque tem calor.
-o bebé chora porque tem fome.
-o bebé chora porque lhe estás sempre a dar mama/colo e está mal habituado.
-o teu leite deve ser fraco.
-devias dar-lhe biberom
-não devias habitua-lo ao biberom.
- não o habitues a chupeta.
-habitua-o logo á chupeta senão depois usa a mama de xuxa.
- nao o habitues a dormir contigo.
- devias fazer isto.
-nao devias fazer isto.
-devias fazer aquilo.
-nao devias fazer aquilo.


É TÃO EXAUSTIVO! Nós já estamos completamente esgotadas e ainda nos esgotam mais.

E então, 8 meses depois do meu filho nascer e a minha vida ainda estar em modo carrossel de emoções, descubro que estou grávida outra vez! Dessa vez sim, senti todos os medos e inseguranças que eram suposto ter aparecido na primeira gravidez. Mas em dobro! Tinha um bebé tão pequenino, ainda estava a encarrilar a nossa rotina e BAM! Vem mais um a caminho. Vou ser sincera... chorei 2 semanas quase seguidas. Não sabia como lidar com aquilo. E choveram mais comentários para piorar mais um bocadinho, sobre estar grávida com um bebé tão pequenino e só me apetecia mandar toda a gente para o inferno por me estarem a chatear.

Após essas duas semanas tive a minha primeira ecografia do baby T2 e nesse instante um botão qualquer ligou-se dentro de mim. Parei com o choro e passei á acção. Desta vez ia ser diferente, ja sabia como era, o que me podia esperar, o que as pessoas iam dizer, o que tinha que fazer e o que não devia fazer. Portanto, desta vez, mandei mesmo todos para o inferno. Deixei de dar ouvidos a todos e fiz o que achava que era melhor para mim e para os meus filhos.

De certo modo, ter um segundo filho tão próximo do primeiro, embora fosse extremamente difícil no início, e ainda o é em certos aspectos, ajudou-me muito. Sinto que me ajudou a ser melhor mãe. A lidar melhor com as dificuldades mesmo sendo o baby T2 um bebé mesmo muito tranquilo, calminho e bastante diferente do mano. Não me deu quase trabalho nenhum quando era bebé... ou talvez também ja estivesse melhor preparada e consequentemente não me custou tanto lidar com tudo como da primeira vez (apesar da primeira vez ter sido apenas 16 meses antes 😅).

Resumindo, tive duas gravidezes, duas experiências, dois partos, dois filhos, COMPLETAMENTE diferentes. Como a noite e o dia. Passei por tantas experiências diferentes nesta fase (ainda passo), tive a gravidez da confiança e a dos medos, o parto horrível do inferno de 21h que acabou em cesariana de emergência e o parto de 15 minutos, o bebé que chorava incessantemente excepto quando estava na mama ou ao colo e o bebé que raramente se ouvia um pio, o bebé que só dormia ao colo a ser balouçado e o bebé que de barriga cheia e fralda mudada dormia a noite inteira e tive a altura em que dava ouvidos a todos e deixava-me afectar com tudo e a altura em que pus cada um no seu lugar e fiz o que EU achava melhor.

Mas no final das contas, o que realmente importa é termos filhos saudáveis e felizes e sermos, também nós, saudáveis e felizes para podermos tomar conta deles! 

As maravilhas da Maternidade!



Obrigada por tudo, M💜

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