As dificuldades de quem educa e de quem é educado.
Querido diário,
Eis que esta frase chega hoje até mim, de tantas alturas em que poderia ter dado de caras com ela fui encontrá-la justamente hoje! Qualquer outro dia provavelmente leria e passaria para a próxima imagem, sem reter grande coisa enquanto espero que o jantar, ao lume, esteja pronto. Mas hoje foi um dia extremamente difícil para mim, como mãe e como pessoa responsável pela educação de outro ser humano. Hoje, quando li esta frase, reti tudo o que ela me diz, não passei a imagem seguinte, não voltei para trás, não levantei os olhos para ver se está a começar algo de interessante na tv ou se a panela ao lume continua sem transbordar, não parei para pensar se deixei alguma conta por pagar esta semana, não tentei perceber se a gritaria no quarto dos miudos era brincadeira ou discussão... Não! Fiquei parada no tempo, a olhar para o ecrã do meu telemóvel, a ler esta frase, vezes sem conta! E porquê? Por toda uma situação que me deixou exausta, fisica e psicológicamente, devido a um donut! Sim, um donut!!!!! O meu T2 (filho mais novo), pediu me um donut. Como não tinha um único cêntimo comigo, expliquei-lhe que a mãe não podia comprar o donut naquele momento porque não tinha dinheiro, algo que a minha criança de 3 anos não conseguiu compreender e desenrolou-se um escândalo digno de uma novela no meio de um centro comercial. Após várias tentativas de lhe explicar, para que ele se acalmasse, veio por fim um "não" bastante acertivo.
"Não há donut porque a mãe não tem dinheiro e como te estás a portar muito mal também não vai haver depois"
Escusado será dizer que só piorou!
O meu filho jogou se para o chão, recusou se a vir comigo para o carro, fugiu pelo shopping, derrubou para o chão coisas que estavam em prateleiras á entrada de lojas, até o conseguir agarrar ao colo. Dirigi me para o carro sempre a tentar acalma-lo e falar com ele, ele sempre a lutar contra mim, a puxar-me os cabelos e a arranhar-me a cara. Não sou uma mãe apologista de palmadas, mas acabei por lhe dar uma palmada no rabo para que ele parasse de me magoar. Chegamos ao carro e foi mais uma guerra para o fazer entrar no carro e para o conseguir prender na cadeirinha.
Menino preso na cadeirinha e entro finalmente no carro, despenteada e cara ainda a arder dos arranhões. Respiro (MUITO) fundo e ouço atrás de mim um - "já não gosto de ti!" - Seguido de mais uns quantos berros. Respiro fundo novamente e respondo - "Mas eu gosto muito de ti, só não gosto que te portes mal" !
A viagem seguiu em silêncio, eu estava exausta e ele também, tanto que adormeceu. Cheguei a casa, tirei-o do carro, deitei-o na cama dele e fui para o meu quarto onde estive uma boa hora a chorar!
Estes dias, em que é tão dificil lidar com eles, são dos piores da vida de uma mãe, pelo menos para mim são.
E então, apareceu esta frase!
"Se os pais desejam melhorar os filhos, em primeiro lugar devem melhorar a si mesmos"
Esta frase tocou-me! É a resposta que tanto procuro... Tenho que procurar "melhorar-me" para que os meus filhos sejam melhores também.
Obrigada por tudo, M💜

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